Agendar Primeira Consulta
Fale conosco pelo WhatsApp

Discectomia: como é a cirurgia e quando é indicada?

Discectomia: como é a cirurgia e quando é indicada?
Imagem: Shutterstock

Procedimento cirúrgico está entre os mais indicados para o tratamento de hérnias de disco

Dor irradiada para as pernas, formigamento, fraqueza muscular — quando esses sintomas persistem e não cedem ao tratamento conservador, a cirurgia pode ser o caminho mais adequado. A discectomia é o procedimento indicado para remover o fragmento do disco intervertebral que comprime uma raiz nervosa, aliviando a dor e restaurando a função neurológica.

Neste conteúdo, abordaremos como a discectomia é a principal abordagem cirúrgica nesse contexto.

O que é a cirurgia de discectomia?

A discectomia é a remoção cirúrgica total ou parcial de um disco intervertebral que, após herniação, está comprimindo raízes nervosas ou a medula espinal. O objetivo do procedimento é descomprimir essas estruturas nervosas, eliminando a fonte mecânica da dor, do formigamento e da fraqueza nos membros.

O disco intervertebral funciona como um amortecedor entre as vértebras. Quando seu núcleo gelatinoso se desloca para fora do espaço normal — processo conhecido como hérnia de disco —, ele pode pressionar as raízes nervosas adjacentes, gerando sintomas que vão de dor localizada a déficits neurológicos progressivos. A discectomia resolve esse problema de forma direta, removendo o material herniado.

Quando a discectomia é indicada?

A indicação cirúrgica segue critérios clínicos e de imagem bem definidos. A discectomia é recomendada nas seguintes situações:

  • Falha do tratamento conservador: fisioterapia, anti-inflamatórios e infiltrações após 6 a 12 semanas sem melhora satisfatória dos sintomas;
  • Dor radicular intensa e incapacitante que compromete significativamente a qualidade de vida e a capacidade funcional do paciente;
  • Déficit neurológico progressivo: fraqueza muscular, perda de reflexos ou diminuição da sensibilidade;
  • Síndrome da cauda equina: emergência neurológica com disfunção de bexiga, intestino e anestesia em sela, que exige cirurgia de urgência;
  • Confirmação por exame de imagem (ressonância magnética) da correlação entre a hérnia e os sintomas apresentados pelo paciente.

Como a discectomia é realizada?

Existem diferentes técnicas cirúrgicas de discectomia, escolhidas conforme a localização da hérnia, o perfil clínico do paciente e a experiência do cirurgião. As principais são:

Microdiscectomia

É a técnica mais tradicional e amplamente utilizada para hérnias lombares. Realizada sob anestesia geral, a microdiscectomia lombar utiliza magnificação por microscópio cirúrgico ou lupa, o que permite ao cirurgião trabalhar com maior precisão por meio de uma incisão pequena — geralmente de 2 a 4 cm — na região lombar.

Após afastar os músculos paravertebrais, o cirurgião remove parte do osso laminar (laminotomia) para acessar o canal vertebral, identificar o fragmento herniado e removê-lo com instrumentos delicados. O procedimento dura em média 1 a 2 horas e, na maioria dos casos, o paciente recebe alta hospitalar no mesmo dia ou no dia seguinte.

Discectomia endoscópica/percutânea

A discectomia endoscópica é a abordagem minimamente invasiva mais moderna e tecnologicamente avançada. Realizada por meio de uma incisão de apenas 8 a 10 mm, utiliza um endoscópio — tubo com câmera de alta definição — introduzido até o nível do disco afetado, geralmente por via transforaminal (lateral) ou interlaminar (posterior).

Com visão direta amplificada na tela do monitor, o cirurgião remove o fragmento herniado com instrumentos específicos, preservando ao máximo os músculos, ligamentos e estruturas ósseas ao redor. As vantagens incluem menor sangramento, menor risco de infecção, recuperação mais rápida e possibilidade de realização em regime ambulatorial — com alta no mesmo dia em muitos casos. Pode ser realizada com anestesia local e sedação ou geral, a depender da preferência do cirurgião e do perfil do paciente.

Discectomia cervical

Quando a hérnia está localizada na coluna cervical (pescoço), a abordagem mais utilizada é a discectomia cervical anterior com fusão (ACDF — Anterior Cervical Discectomy and Fusion). O acesso é feito pela parte frontal do pescoço, por uma pequena incisão, permitindo que o cirurgião remova o disco comprometido sem manipular diretamente a medula espinal.

Após a remoção do disco, o espaço intervertebral é preenchido com um enxerto ósseo ou cage (espaçador de titânio ou PEEK), e as vértebras são fixadas com uma placa para promover a fusão. Em casos selecionados, pode-se optar pela implantação de uma prótese de disco cervical (artroplastia), preservando a mobilidade do segmento operado.

O que esperar do pós-operatório da discectomia?

A recuperação imediata após a discectomia é, em geral, mais tranquila do que muitos pacientes antecipam. Nas primeiras 24 a 48 horas, é comum sentir dor e desconforto no local da incisão, controlados com analgésicos prescritos. A maioria dos pacientes consegue deambular no mesmo dia da cirurgia, o que é incentivado pela equipe médica para reduzir o risco de complicações.

Nas primeiras semanas, devem ser evitados esforços físicos intensos, posições que sobrecarregam a coluna e movimentos de flexão e rotação bruscos. A fisioterapia é iniciada geralmente entre a segunda e a quarta semana, com foco em mobilização gradual, fortalecimento do core e reeducação postural.

Qual o tempo total da recuperação da discectomia?

O tempo de recuperação varia conforme a técnica utilizada, o segmento operado e o perfil clínico do paciente. Como referência geral:

  • Retorno às atividades leves (trabalho de escritório, caminhadas curtas): 2 a 4 semanas;
  • Retorno ao trabalho físico moderado: 4 a 8 semanas;
  • Liberação para atividades físicas completas (esportes, musculação): 8 a 12 semanas, conforme orientação médica;
  • Recuperação neurológica (força e sensibilidade): pode continuar evoluindo por 3 a 6 meses após a cirurgia, à medida que os nervos se regeneram.

A discectomia endoscópica tende a ter recuperação mais rápida em comparação à microdiscectomia convencional, dado o menor trauma cirúrgico.

Quais são as taxas de sucesso da discectomia?

A discectomia apresenta taxas de sucesso consistentemente altas na literatura médica internacional. Estudos publicados no Spine Journal e referenciados pela North American Spine Society (NASS) apontam que entre 85% e 95% dos pacientes relatam alívio significativo da dor radicular após o procedimento, com manutenção dos resultados no longo prazo.

A taxa de recidiva da hérnia no mesmo nível é estimada em torno de 5% a 10% ao longo de 10 anos — percentual considerado baixo, especialmente quando o paciente adere ao programa de reabilitação e adota hábitos de vida adequados no pós-operatório.

Quais os benefícios no longo prazo da discectomia?

Além do alívio imediato da dor, a discectomia bem indicada e tecnicamente executada oferece benefícios duradouros, como:

  • Recuperação da função neurológica — força muscular, sensibilidade e reflexos — que pode ter sido comprometida pela compressão prolongada;
  • Melhora da qualidade de vida, com retorno às atividades profissionais, físicas e sociais;
  • Prevenção da progressão do déficit neurológico, especialmente nos casos com fraqueza muscular em evolução;
  • Redução do uso crônico de analgésicos e anti-inflamatórios;
  • Base funcional para um programa de reabilitação mais eficaz, fortalecendo a musculatura de suporte e prevenindo recidivas.

Quais os riscos da discectomia?

Como todo procedimento cirúrgico, a discectomia envolve riscos, que devem ser discutidos abertamente com o cirurgião antes da decisão. Os principais incluem:

  • Infecção: risco baixo, estimado entre 1% e 2%, minimizado com antibioticoprofilaxia e técnica asséptica rigorosa;
  • Lesão de raiz nervosa ou dural: ocorrência rara, com incidência inferior a 1% nas mãos de cirurgiões experientes;
  • Recidiva da hérnia: novo fragmento no mesmo nível, com incidência de 5% a 10% ao longo de 10 anos;
  • Dor residual: em casos com compressão nervosa de longa data, pode haver recuperação incompleta da função neurológica;
  • Riscos anestésicos gerais: avaliados individualmente pela equipe de anestesiologia.

A correta indicação cirúrgica, a escolha da técnica adequada e a experiência do cirurgião são os principais fatores que reduzem esses riscos.

Quais as diferenças entre discectomia e artrodese?

São procedimentos distintos, com objetivos complementares. A discectomia remove o fragmento herniado do disco para descomprimir o nervo, preservando o restante do disco e a mobilidade do segmento. É o procedimento indicado quando o problema é a compressão nervosa por hérnia, sem instabilidade vertebral associada.

A artrodese (fusão vertebral), por sua vez, une duas ou mais vértebras de forma permanente, eliminando o movimento entre elas. É indicada quando há instabilidade vertebral, espondilolistese, deformidade ou quando a discectomia isolada não seria suficiente para resolver o problema estrutural. Em alguns casos, os dois procedimentos são realizados na mesma cirurgia — como na ACDF cervical, que combina discectomia e fusão.

Qual médico realiza a cirurgia de discectomia?

A discectomia é realizada por ortopedista especializado em cirurgia de coluna vertebral ou por neurocirurgião de coluna. A escolha do profissional deve levar em conta sua experiência com a técnica indicada para o caso — especialmente se a opção for pela abordagem endoscópica, que exige treinamento e curva de aprendizado específicos.

O Dr. Flávio Zelada é ortopedista e cirurgião de coluna com experiência em técnicas minimamente invasivas, incluindo a discectomia endoscópica. O atendimento é personalizado, com avaliação cuidadosa de cada caso antes de qualquer indicação cirúrgica.

Agende sua consulta com o Dr. Flávio Zelada.

 

Fontes

Sociedade Brasileira de Coluna

Spine Journal

North American Spine Society