Inflamação, se não tratada, pode impactar seriamente a saúde física e emocional
Dor na parte baixa das costas que se irradia para os glúteos, piora ao ficar em pé por muito tempo ou ao subir escadas são sinais que merecem atenção. Em muitos casos, a origem do desconforto está na articulação sacroilíaca, tratando-se de uma sacroileíte. Tal condição é responsável por uma parcela significativa das queixas de dor lombar crônica atendidas em consultórios de ortopedia e reumatologia.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, as doenças inflamatórias que afetam as articulações da coluna e da pelve, como as espondiloartrites, estão entre as causas mais subestimadas de dor lombar persistente.
Saiba mais a seguir.
Índice
O que é a sacroileíte?
A sacroileíte é a inflamação da articulação sacroilíaca, estrutura que conecta a coluna vertebral (especificamente o sacro) ao osso ilíaco da pelve, de cada lado. Essa articulação tem função essencial de transferir o peso do tronco para as pernas e absorver impactos durante a marcha. Quando inflamada, a articulação sacroilíaca gera dor localizada na região glútea e lombar baixa, podendo se irradiar para coxas e virilhas. Além disso, essa condição pode ser unilateral (afetando apenas um lado) ou bilateral (ambos os lados simultaneamente).
Causas e fatores de risco da sacroileíte
A sacroileíte pode ter diferentes origens. As principais causas incluem:
- Espondiloartrites: grupo de doenças inflamatórias crônicas, como a espondilite anquilosante e a artrite psoriásica, que frequentemente acomete as articulações sacroilíacas;
- Gravidez: as alterações hormonais e o aumento do peso durante a gestação sobrecarregam a articulação, podendo desencadear inflamação;
- Traumatismos: quedas, acidentes ou lesões diretas na pelve podem lesar a articulação sacroilíaca;
- Osteoartrite (artrose): o desgaste degenerativo da cartilagem articular com o envelhecimento é uma causa comum, especialmente após os 50 anos;
- Infecções: em casos mais raros, bactérias podem atingir a articulação por via sanguínea, causando sacroileíte séptica — quadro que exige tratamento urgente;
- Estresse mecânico repetitivo: atividades que sobrecarregam a pelve de forma assimétrica, como alguns esportes ou posturas inadequadas no trabalho.
Como é a dor sacroilíaca?
A dor é o sintoma mais marcante, mas não o único. Veja os principais sinais de alerta:
- Dor na região glútea e lombar baixa, geralmente de um lado, que pode se intensificar ao ficar em pé por longos períodos ou ao subir escadas;
- Rigidez matinal — especialmente quando associada a doenças inflamatórias — que melhora com o movimento ao longo do dia;
- Irradiação para coxas e virilhas, podendo ser confundida com dor ciática;
- Piora da dor ao sentar-se de um lado ou ao apoiar o peso em apenas uma das pernas;
- Dificuldade para mudar de posição, como virar na cama ou levantar de uma cadeira;
- Desconforto ao toque na região sacroilíaca, perceptível à palpação durante o exame físico.
Como diagnosticar a sacroileíte?
O diagnóstico é clínico e complementar. O especialista realiza anamnese detalhada, avaliação dos sintomas e exame físico com testes específicos de mobilização da articulação sacroilíaca, como o teste de FABER (flexão, abdução e rotação externa do quadril) e o teste de compressão da pelve. Para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do comprometimento, são solicitados exames de imagem.
A ressonância magnética é o método mais sensível para detectar inflamação precoce, enquanto a tomografia computadorizada oferece uma melhor visualização de alterações ósseas. Raios-x panorâmicos da pelve também são utilizados, sobretudo em casos de longa evolução. Em suspeita de origem inflamatória, exames laboratoriais como o HLA-B27 e marcadores de inflamação (VHS, PCR) complementam a investigação.
Opções de tratamento para sacroileíte
O tratamento varia conforme a causa, a intensidade dos sintomas e o perfil clínico do paciente. O objetivo é aliviar a dor, controlar a inflamação e preservar a função articular. A primeira abordagem envolve o uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para controle da dor aguda.
Em casos de doença inflamatória sistêmica, o reumatologista pode indicar medicamentos específicos, como imunobiológicos. A fisioterapia, por sua vez, é fundamental no tratamento da sacroileíte. Técnicas de mobilização articular, fortalecimento da musculatura pélvica e paravertebral, além de exercícios de estabilização do core, ajudam a reduzir a sobrecarga sobre a articulação e prevenir recidivas.
A infiltração sacroilíaca também é um dos tratamentos mais eficazes para a sacroileíte resistente ao manejo clínico convencional. O procedimento consiste na aplicação guiada por imagem (fluoroscopia ou ultrassonografia) de corticosteroide e anestésico local diretamente na articulação sacroilíaca. O resultado é uma redução significativa da inflamação e alívio da dor com duração variável — de semanas a meses —, permitindo que o paciente retome o programa de reabilitação com maior conforto. O procedimento é minimamente invasivo, realizado em regime ambulatorial e com rápida recuperação.
Por fim, a rizotomia por radiofrequência é usada quando a infiltração confirma a origem sacroilíaca da dor, mas o alívio é temporário. A técnica interrompe os nervos responsáveis pela transmissão da dor proveniente da articulação, com resultados duradouros e alta taxa de satisfação.
O que acontece se não tratar a sacroileíte?
A sacroileíte não tratada tende a evoluir com piora progressiva dos sintomas. Nos casos inflamatórios, especialmente associados à espondilite anquilosante, a ausência de tratamento pode levar à fusão das articulações sacroilíacas — processo chamado de anquilose —, com limitação permanente de mobilidade.
Além da progressão local, a dor crônica não controlada compromete o sono, a produtividade e o bem-estar emocional, aumentando o risco de ansiedade e depressão. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são essenciais.
A sacroileíte tem cura?
Depende da causa. Nos casos de origem traumática ou relacionada à gestação, a sacroileíte costuma ter resolução completa com tratamento adequado. Já nas formas associadas a doenças inflamatórias crônicas, o objetivo é o controle dos sintomas e a prevenção da progressão — o que é plenamente alcançável com acompanhamento médico regular.
A boa notícia é que, com tratamento individualizado, a grande maioria dos pacientes recupera a qualidade de vida e retorna às atividades cotidianas sem limitações significativas.
Quem tem sacroileíte pode fazer exercícios?
Sim! E na maioria dos casos, a atividade física é altamente recomendada. O movimento é importante para manter a mobilidade articular, fortalecer a musculatura de suporte e reduzir a inflamação. No entanto, a escolha dos exercícios deve ser orientada pelo médico e pelo fisioterapeuta, respeitando o estágio da doença e as limitações de cada paciente.
Atividades de baixo impacto, como natação, caminhada, Pilates e yoga adaptado, são geralmente bem toleradas. Exercícios que impõem impacto assimétrico sobre a pelve ou sobrecarga excessiva devem ser evitados durante as fases de crise.
Qual médico realiza o tratamento da sacroileíte?
O tratamento da sacroileíte pode envolver mais de uma especialidade. O ortopedista especializado em coluna vertebral é o profissional habilitado para diagnosticar, indicar e realizar procedimentos como infiltração e rizotomia. Nos casos com suspeita de doença inflamatória sistêmica, o reumatologista também integra a equipe terapêutica.
Uma abordagem multidisciplinar, incluindo fisioterapeuta, educador físico e, quando necessário, psicólogo, garante melhores resultados no controle da dor e na reabilitação funcional.
Agende sua consulta com o Dr. Flávio Zelada.
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