Afetando milhares de pessoas em todo o mundo, a condição surge com sintomas que prejudicam o bem-estar diário das pessoas.
Apesar de acometer pessoas mais jovens, a estenose cervical é mais comum após os 50 anos de idade. Ocorre quando o canal da coluna, na região do pescoço, se estreita. Esse problema acaba comprimindo nervos e, em alguns casos, até mesmo a medula espinhal.
Segundo dados da Cleveland Clinic, alterações degenerativas da coluna podem estar presentes em até 95% das pessoas acima dos 50 anos.
Caso não diagnosticada e tratada adequadamente, a estenose cervical compromete a qualidade de vida, afetando a execução de movimentos simples do dia a dia.
Índice
O que é e quais as causas da estenose cervical?
O estreitamento do canal espinhal (localizado no pescoço), na parte superior da coluna vertebral, é chamado de estenose cervical. No local, passam a medula espinhal e raízes nervosas responsáveis pelos movimentos e sensibilidade dos membros superiores e inferiores.
Normalmente, o problema tem a ver com o desgaste natural da coluna, consequência do passar do tempo. O envelhecimento natural do ser humano faz com que estruturas, como discos intervertebrais, articulações e ligamentos sofram alterações que acabam reduzindo o espaço disponível para os nervos.
Entre as causas mais frequentes:
- Artrose cervical;
- Hérnia de disco;
- Degeneração dos discos intervertebrais;
- Esporões ósseos (osteófitos);
- Espondilolistese;
- Alterações congênitas da coluna;
- Traumas cervicais;
- Doença de Paget;
- Espondilite anquilosante.
Há pessoas que têm predisposição anatômica (característica estrutural ou do corpo de um indivíduo que aumenta a probabilidade de desenvolver uma doença ou lesão específica). Isso faz com que o canal vertebral seja naturalmente mais estreito, o que eleva os riscos de compressões ao longo do tempo.
Sintomas da estenose cervical
Os sintomas surgem aos poucos e podem ser confundidos com dores musculares comuns ou até mesmo com sinais do envelhecimento. Em estágios iniciais, as vezes a pessoa fica sem sintomas por bastante tempo. Já quando os nervos começam a ser comprimidos, os sinais mais comuns são:
- Dor no pescoço;
- Rigidez cervical;
- Formigamentos nos braços e nas mãos;
- Perda de sensibilidade;
- Diminuição da força muscular;
- Choque elétrico ao movimentar o pescoço (poucos casos).
As características de casos mais avançados da estenose cervical espinhal são: alterações no equilíbrio, dificuldade para caminhar, falta de coordenação motora e até mudanças no funcionamento da bexiga e do intestino. Esses sinais exigem avaliação médica com urgência para que danos neurológicos permanentes sejam evitados.
Quando a estenose cervical é grave?
A gravidade tem relação principalmente com o grau de compressão das estruturas nervosas: nem sempre um estreitamento importante provoca sintomas intensos, mas quando a medula espinhal começa a ser afetada, o quadro requer maior atenção.
É possível considerar sinais de alerta:
- Perda progressiva de força nos braços ou pernas;
- Dificuldade para segurar objetos;
- Quedas frequentes;
- Perda do controle urinário ou intestinal.
Quando ocorrem essas situações, há um risco de desenvolvimento de mielopatia cervical, condição que pode causar comprometimento neurológico progressivo e, em alguns casos, sequelas permanentes.
Como é feito o diagnóstico?
A partir de uma avaliação clínica detalhada. Nessa avaliação, o especialista investiga os sintomas, o histórico do paciente e faz testes neurológicos específicos para avaliar reflexos, força muscular e sensibilidade.
Após, exames de imagem normalmente são solicitados para confirmar o diagnóstico e identificar o grau de estreitamento do canal vertebral. A ressonância magnética é considerada o principal exame para avaliar a compressão da medula e das raízes nervosas.
Outros exames que podem ser solicitados:
- Radiografias da coluna cervical;
- Tomografia computadorizada;
- Eletroneuromiografia;
- Exames funcionais neurológicos.
Os resultados oriundos dessas informações vão permitir que seja determinada a melhor estratégia de tratamento para cada paciente.
Tratamento da estenose do canal cervical
O tratamento será indicado conforme a intensidade dos sintomas, grau de compressão nervosa e o impacto da doença na rotina da pessoa. Muitos casos são controlados sem cirurgia, ainda mais quando o diagnóstico é precoce e não existem sinais significativos de comprometimento neurológico.
Tratamentos medicamentosos
Provavelmente, remédios são prescritos no começo. O objetivo principal é proporcionar alívio a dor, seguido da redução de inflamações e, consequentemente, qualidade de vida enquanto outras abordagens terapêuticas são implementadas.
Dependendo do quadro clínico, o médico indica analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e medicamentos específicos para dor neuropática.
A fisioterapia também é uma importante aliada no fortalecimento muscular, uma vez que melhora a mobilidade cervical e ajuda na redução da sobrecarga sobre a coluna.
Tratamento com infiltrações
Quando a dor continua mesmo após o uso de medicamentos e fisioterapia, infiltrações podem ser indicadas. O procedimento ocorre a partir da aplicação de substâncias anti-inflamatórias diretamente nas estruturas nervosas inflamadas. Essa abordagem proporciona alívio significativo dos sintomas e melhora funcional na grande maioria dos pacientes.
Mesmo que não corrijam o estreitamento do canal vertebral, as infiltrações reduzem consideravelmente a inflamação, ajudando no controle da dor durante períodos prolongados.
Quando a cirurgia para estenose cervical é indicada?
É indicada apenas quando os tratamentos conservadores não apresentam ou deixam de apresentar resultados satisfatórios ou quando existe algum problema neurológico contínuo.
Pacientes que se queixam de perda de força, dificuldade para caminhar, alterações importantes da coordenação motora ou sinais de compressão medular costumam ser os principais candidatos ao tratamento cirúrgico.
O objetivo da cirurgia é descomprimir a medula espinhal e os nervos, criando mais espaço dentro do canal vertebral e reduzindo o risco de danos neurológicos futuros.
Quem tem estenose cervical pode trabalhar?
Na grande maioria dos casos, sim. Muitas pessoas com estenose cervical mantêm suas atividades profissionais, ainda mais quando os sintomas são leves e bem controlados. Entretanto, quem trabalha com esforço físico intenso, como levantamento frequente de peso ou movimentos repetitivos do pescoço, provavelmente vai ter o quadro agravado, fato que vai exigir adaptações temporárias ou permanentes.
A capacidade laboral (aptidão física e mental de um indivíduo para exercer suas atividades profissionais) deve sempre ser avaliada individualmente pelo médico especialista, que vai levar em consideração os sintomas, exames e a função desempenhada pelo paciente.
A estenose cervical tem cura?
Essa resposta depende totalmente do que causa a doença. Se a estenose cervical for relacionada ao envelhecimento e desgaste natural da coluna, não há possibilidade de reverter completamente essas alterações estruturais. No entanto, isso não quer dizer que o paciente precisa conviver com dor ou limitações.
Atualmente, existem opções de tratamentos que são benéficos, controlando sintomas, preservando funções neurológicas e proporcionando uma boa qualidade de vida.
O ponto-chave de tudo é ter um acompanhamento especializado, associado ao diagnóstico precoce e tratamento adequado. Com isso, muitos pacientes conseguem manter uma rotina ativa e produtiva por muitos anos, reduzindo significativamente os impactos da doença.
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Fontes
Manual MSD Profissional – Estenose Espinal Cervical
National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases (NIAMS)

