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Tratamentos para artrose cervical

Tratamentos para artrose cervical
Imagem: Shutterstock

Condição não possui cura definitiva, mas é possível controlá-la de forma a recuperar a mobilidade e preservar a qualidade de vida

O envelhecimento traz consigo uma série de mudanças nas estruturas do corpo, e a coluna vertebral não é exceção. A artrose cervical, também chamada de espondilose cervical, é uma das condições degenerativas mais prevalentes na população adulta. A condição, porém, não se restringe à terceira idade: hábitos posturais inadequados, trabalho prolongado em frente a telas e o sedentarismo têm antecipado o aparecimento dos sintomas em faixas etárias cada vez mais jovens.

A boa notícia é que os tratamentos para artrose cervical evoluíram significativamente nas últimas décadas e, na grande maioria dos casos, é possível controlar a dor e manter uma vida ativa sem precisar de cirurgia.

Saiba mais a seguir.

O que é a artrose cervical e como ela progride?

A artrose cervical é um processo degenerativo que afeta as articulações, os discos intervertebrais e as estruturas ósseas da coluna cervical — região composta pelas sete vértebras localizadas entre a base do crânio e os ombros. Com o desgaste progressivo, a cartilagem que reveste as superfícies articulares vai se deteriorando, o que leva ao surgimento de osteófitos (os chamados bicos de papagaio), ao estreitamento dos espaços articulares e à perda de hidratação dos discos.

O processo de progressão é lento e gradual. Em estágios iniciais, muitos pacientes são assintomáticos ou apresentam desconforto leve e intermitente. À medida que a degeneração avança, a dor tende a se tornar mais frequente e intensa, podendo acompanhar-se de rigidez, limitação de movimento e, nos casos mais avançados, compressão de raízes nervosas ou da medula espinhal. Entender esse espectro é fundamental para que os tratamentos para artrose cervical sejam indicados no momento certo e com a abordagem mais adequada.

Principais sintomas da artrose cervical

Os sintomas variam conforme o grau de degeneração e as estruturas comprometidas. Os mais comuns incluem dor e rigidez no pescoço — especialmente ao acordar ou após períodos prolongados na mesma posição —, limitação dos movimentos de rotação e inclinação da cabeça, e crepitações (estalos) ao movimentar o pescoço. Dores de cabeça na região da nuca, sensação de peso nos ombros e dificuldade para manter a postura também são relatadas com frequência.

Quando a degeneração avança a ponto de comprimir raízes nervosas, surgem sintomas como dor irradiada para os braços, formigamento, dormência e fraqueza nos membros superiores, quadro denominado mielopatia ou radiculopatia cervical, dependendo da estrutura afetada. Esses sinais neurológicos exigem avaliação médica urgente, pois indicam comprometimento mais sério e podem requerer intervenção mais agressiva.

A artrose cervical é grave?

Na maioria dos casos, não. A artrose cervical é uma condição crônica e progressiva, mas gerenciável. O fato de o exame de imagem mostrar degeneração não significa, necessariamente, que o paciente terá sintomas incapacitantes — há uma dissociação conhecida entre o grau radiológico e a intensidade dos sintomas. Muitos pacientes convivem com a condição por anos com qualidade de vida preservada, desde que sigam os tratamentos para artrose cervical adequados e mantenham hábitos que não agravem o desgaste.

O cenário se torna mais preocupante quando há compressão da medula espinhal — situação que pode evoluir com perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar e comprometimento neurológico progressivo. Por isso, sintomas que vão além da dor cervical localizada devem sempre ser investigados com urgência por um especialista.

Como diagnosticar a artrose cervical?

O diagnóstico começa com a avaliação clínica: o médico investiga o histórico de sintomas, realiza o exame físico e testa a mobilidade cervical e a integridade neurológica do paciente. A partir daí, os exames de imagem confirmam e detalham o quadro. O raio-x simples da coluna cervical já permite identificar a presença de osteófitos, redução dos espaços discais e alterações nas articulações facetárias. A ressonância magnética é indicada quando há suspeita de compressão nervosa ou medular, pois oferece visão mais precisa dos tecidos moles, discos e estruturas neurais. A tomografia computadorizada é útil para avaliação detalhada das estruturas ósseas.

Vale reforçar que o diagnóstico de artrose cervical não deve ser feito apenas com base em laudos de imagem: a correlação clínica — ou seja, a relação entre os achados radiológicos e os sintomas reais do paciente — é indispensável para orientar os melhores tratamentos para artrose cervical em cada caso.

Opções de tratamento para artrose cervical

Os tratamentos para artrose cervical são organizados de forma escalonada: começa-se sempre pelas abordagens menos invasivas e avança-se para procedimentos mais complexos apenas quando necessário. A grande maioria dos pacientes obtém controle satisfatório dos sintomas sem precisar de cirurgia.

Tratamentos conservadores

A base dos tratamentos para artrose cervical, envolvendo um conjunto de estratégias que, combinadas, aliviam a dor, reduzem a inflamação e fortalecem as estruturas de suporte da coluna:

  • Medicamentos: anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), analgésicos e relaxantes musculares são usados nas fases de agudização para controlar a dor e o espasmo muscular. O uso deve ser sempre orientado por prescrição médica;
  • Fisioterapia: programa central na reabilitação cervical. Combina recursos eletrotermofototerapêuticos (como ultrassom e TENS) para alívio da dor com exercícios de fortalecimento da musculatura cervical e escapular, fundamentais para estabilizar a coluna e reduzir a sobrecarga articular;
  • Cinesioterapia e Pilates clínico: exercícios supervisionados que trabalham postura, mobilidade e controle motor, com impacto direto na redução dos sintomas;
  • Acupuntura: pode ser utilizada como complemento no manejo da dor crônica cervical;
  • Adaptações ergonômicas: ajustes no posto de trabalho, como altura do monitor e suporte para os braços, reduzem a sobrecarga sobre a coluna cervical durante as horas de trabalho.

Procedimentos minimamente invasivos

Quando os tratamentos conservadores não são suficientes para controlar a dor, os procedimentos minimamente invasivos representam o próximo passo. As infiltrações facetárias, isto é, aplicação de corticosteroide diretamente nas articulações degeneradas da coluna cervical, oferecem alívio expressivo da dor inflamatória com baixo risco e rápida recuperação. O bloqueio de nervos medianos, que inervam as articulações facetárias, também pode ser indicado em casos selecionados, assim como a radiofrequência pulsada, técnica que interrompe a transmissão dos sinais de dor de forma mais duradoura.

Quando a intervenção cirúrgica é considerada?

A cirurgia é reservada para situações específicas: falha do tratamento conservador e minimamente invasivo após período adequado, compressão medular com sinais de mielopatia (alterações de marcha, perda de equilíbrio, dificuldade motora nos membros), déficit neurológico progressivo ou dor intratável que compromete severamente a funcionalidade do paciente. Os procedimentos mais comuns incluem a discectomia cervical anterior com fusão (ACDF) e, em casos selecionados, a artroplastia cervical — que substitui o disco degenerado por uma prótese, preservando a mobilidade do segmento operado.

Qual médico realiza o tratamento cirúrgico da artrose cervical?

O tratamento cirúrgico da artrose cervical é realizado pelo ortopedista especializado em coluna ou pelo neurocirurgião com atuação vertebral. Esses profissionais são habilitados para indicar, planejar e executar os procedimentos cirúrgicos quando necessário, sempre com base em avaliação clínica criteriosa e nos achados de imagem.

O acompanhamento clínico, que inclui os tratamentos para artrose cervical conservadores e minimamente invasivos, pode ser conduzido pelo ortopedista em conjunto com fisioterapeutas e, quando indicado, reumatologistas. O importante é que o paciente tenha um especialista de referência que coordene seu tratamento de forma longitudinal, ajustando a abordagem conforme a evolução do quadro.

Se você apresenta dor cervical recorrente, rigidez no pescoço ou sintomas que irradiam para os braços, não adie a avaliação médica. Quanto mais cedo os tratamentos para artrose cervical forem iniciados, maiores as chances de controlar a progressão e preservar sua qualidade de vida.

Agende sua consulta com o Dr. Flávio Zelada

 

Fontes

Sociedade Brasileira de Reumatologia

Sociedade Brasileira de Coluna