Incômodo pode afetar o sono, o trabalho e a qualidade de vida
Sentir dor nas costas uma vez ou outra é algo que a maioria das pessoas experimenta ao longo da vida. O problema, porém, começa quando essa dor não passa, impactando o dia a dia. A dor crônica na coluna é definida pela persistência dos sintomas por mais de três meses e representa um dos maiores desafios da medicina moderna.
De acordo com o Ministério da Saúde, as dores musculoesqueléticas crônicas, incluindo as lombalgias e cervicalgias, estão entre as principais causas de afastamento do trabalho e de busca por atendimento médico no Brasil. Estima-se que cerca de 80% da população apresentará algum episódio de dor lombar ao longo da vida — e uma parcela significativa evoluirá para a cronicidade.
Saiba mais a seguir.
Índice
O que define a dor crônica na coluna?
Do ponto de vista clínico, a dor crônica na coluna é aquela que persiste por mais de 12 semanas, independentemente de sua intensidade. Essa pode ser contínua ou intermitente, localizada em um único segmento ou irradiada para membros, e estar associada a diferentes graus de limitação funcional.
Diferente da dor aguda, que geralmente tem causa identificável e resolução espontânea, a dor crônica envolve mecanismos de sensibilização central, em que o sistema nervoso passa a amplificar os sinais dolorosos mesmo na ausência de um estímulo proporcional. Por isso, seu tratamento exige uma abordagem mais complexa e individualizada.
Principais causas da dor crônica na coluna
A dor crônica na coluna raramente tem uma única causa. Na maioria dos casos, resulta da combinação de fatores estruturais, posturais e comportamentais. As mais frequentes são:
Doenças degenerativas
A espondilose — degeneração progressiva das vértebras, discos e articulações facetárias — é uma das causas mais comuns de dor lombar e cervical crônica, especialmente após os 40 anos. O desgaste da cartilagem articular, a formação de osteófitos (bicos de papagaio) e a redução do espaço discal comprimem estruturas nervosas e geram dor persistente. Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as doenças degenerativas da coluna respondem por grande parte dos casos de lombalgia crônica atendidos no país.
Alterações discais
A hérnia de disco ocorre quando o núcleo gelatinoso do disco intervertebral se desloca para fora de sua posição normal, comprimindo raízes nervosas adjacentes. Quando não tratada adequadamente, pode se tornar fonte de dor crônica com irradiação para membros (radiculopatia). Discos rompidos ou com fissuras também podem gerar discogenia, um tipo de dor que se origina no próprio disco deteriorado.
Instabilidade vertebral
A instabilidade ocorre quando uma ou mais vértebras perdem sua capacidade de manter um posicionamento adequado durante o movimento, gerando sobrecarga sobre estruturas vizinhas. A espondilolistese — escorregamento de uma vértebra sobre a outra — é um exemplo clássico e pode causar dor crônica na coluna de intensidade variável, frequentemente piorando quando a pessoa está em pé ou após atividades físicas.
Fibromialgia e síndromes Miofasciais
A fibromialgia é uma condição de sensibilização central que cursa com dor musculoesquelética difusa e crônica, frequentemente concentrada na coluna. Já as síndromes miofasciais envolvem pontos-gatilho musculares que geram dor localizada e irradiada. Ambas podem coexistir com alterações estruturais da coluna, tornando o diagnóstico e o tratamento mais desafiadores.
Erros posturais e sedentarismo
Passar horas sentado em posição inadequada, usar dispositivos eletrônicos com a cabeça inclinada para frente e a falta de atividade física são fatores que sobrecarregam a coluna de forma progressiva. O sedentarismo enfraquece a musculatura de suporte, transferindo esforço excessivo para estruturas passivas — discos, ligamentos e articulações —, acelerando o desgaste e contribuindo para a cronificação da dor.
Estratégias de tratamento para dor crônica na coluna
O tratamento da dor crônica na coluna é sempre individualizado. Não existe fórmula única: o plano terapêutico deve levar em conta a causa da dor, o perfil clínico do paciente, o tempo de evolução e a resposta às abordagens anteriores.
Tratamento conservador
A maioria dos pacientes com dor crônica na coluna se beneficia, em algum momento, de abordagens conservadoras. As principais estratégias incluem:
- Fisioterapia e reabilitação: fortalecimento da musculatura paravertebral, mobilização articular e correção postural são pilares do tratamento conservador;
- Atividade física regular: Pilates, natação, caminhada e musculação orientada ajudam a reduzir a dor e prevenir recidivas;
- Analgésicos e anti-inflamatórios: utilizados nas fases de crise para controle da dor aguda, sob prescrição médica;
- Moduladores da dor crônica: medicamentos como antidepressivos em doses baixas e anticonvulsivantes podem ser indicados nos casos com componente de sensibilização central;
- Psicoterapia e terapia cognitivo-comportamental: redução da intensidade da dor crônica e melhora funcional;
- Controle do peso e mudanças no estilo de vida: fatores como obesidade, tabagismo e sedentarismo agravam a dor e devem ser abordados como parte do tratamento.
Procedimentos minimamente invasivos
Quando o tratamento conservador não é suficiente, os procedimentos minimamente invasivos oferecem uma alternativa eficaz e segura antes de se cogitar cirurgia aberta. Entre os mais utilizados, estão:
- Bloqueios e infiltrações na coluna: aplicação guiada por imagem de corticosteroide e anestésico local em estruturas específicas — articulações facetárias, raízes nervosas ou espaço epidural — para reduzir a inflamação e aliviar a dor;
- Rizotomia por radiofrequência: interrupção dos nervos que transmitem a dor proveniente de articulações degeneradas, com resultados duradouros de 6 meses a 2 anos;
- Cirurgia endoscópica de coluna: técnica minimamente invasiva que permite a resolução de hérnias de disco, estenoses e outras causas estruturais com menor agressão tecidual, menor sangramento e recuperação mais rápida em comparação às cirurgias abertas convencionais.
Quando o tratamento cirúrgico é indicado?
A cirurgia aberta é reservada para situações específicas em que há falha dos tratamentos conservadores e minimamente invasivos, ou quando existe comprometimento neurológico progressivo que exige intervenção mais ampla. Os principais critérios incluem: instabilidade vertebral grave com risco de lesão medular, déficit motor em evolução, síndrome da cauda equina e deformidades estruturais significativas.
A decisão cirúrgica é sempre tomada de forma individualizada, com base em exames de imagem, avaliação clínica detalhada e consideração do perfil de risco do paciente. Em muitos casos, abordagens endoscópicas e minimamente invasivas já permitem alcançar os mesmos objetivos com um menor impacto para o paciente.
Quando procurar ajuda do especialista em coluna?
Alguns sinais indicam que a dor crônica na coluna precisa de avaliação especializada sem demora:
- Dor que persiste há mais de três meses sem melhora com repouso ou anti-inflamatórios;
- Irradiação da dor para membros inferiores, com formigamento, dormência ou fraqueza;
- Dificuldade para caminhar, subir escadas ou manter atividades básicas do dia a dia;
- Dor que piora à noite ou que acorda o paciente durante o sono;
- Qualquer alteração de controle urinário ou intestinal associada à dor na coluna;
- Histórico de câncer, uso de corticosteroides crônicos ou trauma recente na coluna.
Quanto antes o diagnóstico correto for estabelecido, maiores as chances de reverter ou controlar a condição sem necessidade de procedimentos mais invasivos.
Agende sua consulta com o Dr. Flávio Zelada.
Fontes

