Agendar Primeira Consulta
Fale conosco pelo WhatsApp

Abaulamento discal: causas e tratamentos

Abaulamento discal: causas e tratamentos
Fonte: Shutterstock

Embora muitos associem qualquer alteração nos discos vertebrais à hérnia de disco, o abaulamento possui características próprias e nem sempre representa um quadro grave.

Manter a coluna vertebral saudável é extremamente importante para a realização das atividades diárias. Porém, quando há algo de errado, grande parte da população mundial não dá atenção aos sinais do corpo.

O abaulamento discal é uma dessas condições relacionadas à coluna que pode surgir, sendo uma alteração muitas vezes silenciosa ou causando sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.

Nem sempre representa um quadro grave, mas, ainda assim, quando não acompanhado adequadamente, tem chances de evoluir e causar dores persistentes, limitações funcionais e desconfortos limitantes.

O que é o abaulamento discal?

Chamamos de abaulamento discal o começo do desgaste do disco intervertebral, que perde elasticidade e a originalidade redonda. Localizado entre as vértebras, sofre um deslocamento para fora de seus limites naturais, criando uma espécie de saliência. Esses discos são tipo de amortecedores da coluna, pois absorvem impactos e ajudam o corpo a se movimentar de maneira equilibrada.

Quais os tipos de abaulamento discal?

O abaulamento pode acometer diferentes regiões da coluna, mas é mais frequente nas áreas cervical e lombar. Isso se explica pelo fato de serem regiões que suportam grande parte da movimentação e do peso corporal ao longo da vida.

Os médicos classificam o problema de duas maneiras, sendo localização:

Posterolateral, considerada a mais comum, localizada na parte de trás e de lado do disco. Faz pressão diretamente na raiz do nervo, e é a principal causa de dores irradiadas, como, por exemplo, a ciática;

Central, quando ocorre bem no meio do disco, com chances de empurrar a medula espinhal;

Foraminal, que acontece no “forame”, o pequeno canal por onde o nervo sai da coluna para o resto do corpo. Tem capacidade de gerar bastante dor;

Extraforaminais quando os problemas são na parte mais lateral do disco, fora do canal principal.

E extensão:

Abaulamento discal difuso, que acontece quando o disco se aumenta de forma ampla e uniforme, atingindo uma área maior do que $25$% de toda a sua circunferência. Esse tipo é bastante comum com o envelhecimento e costuma ser assintomático;

Abaulamento discal focal, que consiste na deformação de uma área restrita, alcançando menos de $25$% da circunferência do disco. Por se concentrar em um ponto específico, a chance de comprimir raízes nervosas e causar dor é maior.

Causas e fatores de risco do abaulamento discal

O surgimento do problema é a partir de uma combinação de fatores e o envelhecimento é uma das principais causas, porque os discos perdem água e elasticidade com o passar dos anos, tornando-se mais suscetíveis a deformações e desgastes.

Hábitos de vida aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de alterações nos discos vertebrais:

  • Sedentarismo;
  • Excesso de peso;
  • Postura inadequada;
  • Movimentos repetitivos;
  • Atividades que exigem esforço físico constante.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 619 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com dor lombar, condição frequentemente associada a alterações degenerativas da coluna, incluindo o abaulamento discal.

Outro dado importante, esse divulgado pelo Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Acidente Vascular Cerebral dos Estados Unidos (NINDS), mostra que problemas relacionados aos discos intervertebrais estão entre as principais causas de afastamento do trabalho em adultos economicamente ativos.

O abaulamento discal apresenta sintomas?

Nem sempre, inclusive muitas pessoas convivem com a condição durante anos sem ao menos perceberem alterações, e acabam descobrindo o problema apenas ao realizar exames por outros motivos.

Por outro lado, quando o abaulamento gera compressão de nervos ou estruturas próximas, alguns sintomas surgem. Os mais comuns são: dor localizada na coluna, sensação de rigidez, redução da mobilidade e desconforto ao permanecer muito tempo sentado ou em pé.

Dependendo da região afetada, também podem ocorrer sintomas irradiados, como formigamento, dormência ou dor que se espalha para braços ou pernas. A intensidade varia bastante de pessoa para pessoa e nem sempre está relacionada ao tamanho da alteração observada nos exames.

Qual a diferença entre hérnia de disco e abaulamento discal?

Essa é de longe uma das dúvidas mais frequentes. Apesar de serem alterações que afetam os discos intervertebrais, elas não são a mesma coisa.

No abaulamento discal, o disco apresenta uma deformação sem rompimento de suas camadas externas. Já na hérnia de disco ocorre uma ruptura parcial ou total dessas estruturas, permitindo que o material interno do disco extravase e provoque maior risco de compressão nervosa.

Essa diferença faz com que os tratamentos e o prognóstico também sejam distintos. Enquanto o abaulamento pode ser controlado com cuidados mais conservadores, algumas hérnias mais avançadas devem exigir intervenções mais complexas.

Como diagnosticar o abaulamento discal?

Provavelmente o diagnóstico será iniciado a partir de uma avaliação clínica detalhada, acompanhada por um ortopedista especialista em coluna, e deve incluir exames de imagem, que desempenham papel fundamental na confirmação diagnóstica.

A ressonância magnética é o exame mais completo, pois permite visualizar os discos intervertebrais, identificar o abaulamento e avaliar possíveis compressões nervosas associadas.

Segundo dados da North American Spine Society (NASS), a ressonância magnética possui alta precisão para detectar alterações degenerativas da coluna, sendo atualmente o principal exame utilizado para investigação de dores persistentes nas costas e no pescoço.

Opções de tratamentos para abaulamento discal

Os tratamentos para abaulamento discal variam de acordo com a intensidade dos sintomas e o impacto da condição na rotina do paciente. A boa notícia é que a maioria dos casos são tratados sem cirurgia, principalmente quando há diagnóstico precoce.

O tratamento conservador, com objetivo de reduzir a sobrecarga na coluna e melhorar a estabilidade das estruturas vertebrais, geralmente tem:

  • Fisioterapia;
  • Fortalecimento muscular;
  • Reeducação postural;
  • Controle do peso corporal.

Em casos em que a dor continua mesmo após essas medidas, podem ser indicados medicamentos, procedimentos minimamente invasivos e terapias específicas para controle da inflamação e da dor.

Quando a intervenção cirúrgica é considerada?                                  

A cirurgia raramente é a primeira opção de tratamento. A intervenção cirúrgica é considerada quando os sintomas persistem por longos períodos, não respondendo às técnicas conservadoras ou quando há comprometimento neurológico em progresso.

Quem tem abaulamento discal pode pegar peso?

Quem tem abaulamento discal pode, em muitos casos, continuar realizando atividades que envolvem peso, mas é necessário contar com orientação médica adequada e respeito aos limites do corpo.

Movimentos incorretos, excesso de esforço e má postura com certeza vão agravar os sintomas, por isso o fortalecimento muscular, a ergonomia e o acompanhamento especializado são fundamentais.

Com o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem retomar gradualmente suas atividades habituais de forma segura

O abaulamento do disco pode reverter sozinho com o tempo?

A condição não costuma reverter espontaneamente para a forma original, o que não significa que os sintomas vão continuar para sempre. Pacientes apresentam melhora significativa da dor com o tempo, e também da funcionalidade, mesmo quando a alteração continua visível nos exames de imagem.

Com acompanhamento especializado, fortalecimento muscular, mudanças de hábitos e tratamento adequado, é possível estabilizar a condição e evitar sua progressão.

Por isso, ao apresentar sintomas persistentes ou receber o diagnóstico de abaulamento discal, procurar um especialista em coluna é a melhor forma de esclarecer dúvidas.

Fontes

Dr. Flávio Zelada

Organização Mundial da Saúde (OMS)

National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS)

North American Spine Society (NASS)

National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS)