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Injeção para dor na coluna: como funcionam as infiltrações?

Injeção para dor na coluna: como funcionam as infiltrações?
Imagem: Shutterstock

Alternativa minimamente invasiva é indicada quando tratamentos convencionais não são suficientes para controlar a dor na coluna

A dor na coluna afeta cerca de 80% dos brasileiros em algum momento da vida, segundo dados do Ministério da Saúde. Para muitos pacientes, o tratamento convencional, composto por medicamentos, fisioterapia e mudanças de hábitos, é suficiente para controlar o quadro. Mas há situações em que a dor persiste de forma intensa, comprometendo o sono, o trabalho e as atividades mais simples do dia a dia. É nesses casos que a injeção para dor na coluna costuma ser indicada, como uma alternativa terapêutica precisa e minimamente invasiva.

Também conhecida como infiltração, esse procedimento consiste na aplicação de medicamentos diretamente nas estruturas da coluna responsáveis pela dor, com o objetivo de reduzir a inflamação, interromper o ciclo doloroso e permitir que o paciente avance no processo de reabilitação.

Saiba mais a seguir.

Quais os tipos de infiltração/injeção para dor na coluna?

Não existe um único tipo de injeção para dor na coluna. O procedimento é personalizado de acordo com a estrutura acometida, a origem da dor e as características clínicas de cada paciente. Conheça os principais tipos:

Infiltração epidural

É um dos procedimentos mais realizados no tratamento da dor vertebral. Nela, o medicamento — geralmente um corticosteroide associado a um anestésico local — é injetado no espaço epidural, região que circunda o saco dural e as raízes nervosas. A infiltração epidural é especialmente indicada para casos de hérnia de disco com compressão nervosa e ciatalgia intensa. O alívio costuma ser rápido e pode durar semanas ou meses, dependendo da resposta individual.

Infiltração facetária

As articulações facetárias conectam as vértebras entre si e são responsáveis por parte significativa da mobilidade da coluna. Quando essas articulações se inflamam, o que ocorre com frequência na artrose e na espondilose, geram dor localizada que piora com certos movimentos, especialmente a extensão da coluna. A infiltração facetária deposita o medicamento diretamente nessa articulação, proporcionando alívio da inflamação e da dor local.

Infiltração foraminal

O forame intervertebral é o canal por onde a raiz nervosa sai da coluna em direção ao membro. Quando esse espaço se estreita — por hérnia de disco, osteófitos ou estenose foraminal —, a raiz é comprimida, gerando dor irradiada, formigamento e, em casos mais graves, fraqueza muscular. A infiltração foraminal direciona o medicamento precisamente para esse ponto de compressão, com orientação por fluoroscopia ou tomografia para garantir máxima precisão e segurança.

Infiltração sacroilíaca

A articulação sacroilíaca conecta a coluna lombar ao osso do quadril e é uma fonte de dor frequentemente subestimada. Quando inflamada, por artrite, sobrecarga mecânica ou doenças como a espondilite anquilosante, pode gerar dor na região glútea e lombar baixa que imita uma ciatalgia. A infiltração sacroilíaca é indicada quando o diagnóstico aponta essa articulação como origem do quadro álgico.

Infiltração em pontos-gatilho

Os pontos-gatilho são nódulos de tensão muscular crônica que se formam em resposta a sobrecarga, má postura ou estresse. Ao serem pressionados, geram dor local e, frequentemente, dor referida em outras regiões. A infiltração nesses pontos — com anestésico local, por vezes combinado com anti-inflamatório — promove o relaxamento do músculo, quebra o ciclo de espasmo e alivia a dor de forma eficaz. É um procedimento simples, rápido e bem tolerado.

Quais condições podem levar a uma injeção para dor na coluna?

A injeção para dor na coluna é indicada em situações nas quais o tratamento clínico convencional não foi suficiente para controlar a dor em um prazo razoável, ou quando a intensidade do quadro exige alívio mais imediato para viabilizar a reabilitação. As principais condições que podem ser tratadas com infiltração incluem:

  • Hérnia de disco lombar ou cervical com compressão nervosa e dor irradiada (ciatalgia ou cervicobraquialgia);
  • Estenose do canal lombar, com claudicação neurogênica;
  • Artrose das articulações facetárias (espondilose);
  • Síndrome miofascial com pontos-gatilho ativos;
  • Dor sacroilíaca associada a doenças inflamatórias ou sobrecarga mecânica;
  • Espondilite anquilosante e outras espondiloartrites, em complemento ao tratamento medicamentoso sistêmico.

A decisão pela infiltração é sempre tomada após avaliação clínica e de imagem detalhada, levando em conta o histórico do paciente e a ausência de contraindicações ao procedimento.

Existem riscos na injeção para dor na coluna?

Como qualquer procedimento médico, a injeção para dor na coluna envolve riscos, ainda que sejam considerados baixos quando realizados por profissional experiente e com o auxílio de guia de imagem. Entre as possíveis complicações, estão reações alérgicas ao medicamento, infecção no local da aplicação, sangramento, piora transitória da dor nas primeiras 24 a 48 horas e, raramente, lesão nervosa.

O uso repetido de corticosteroides também exige atenção: aplicações muito frequentes podem provocar efeitos sistêmicos, como alterações glicêmicas em pacientes diabéticos e enfraquecimento dos tecidos locais. Por isso, a quantidade de infiltrações por ano é limitada e decidida individualmente pelo médico assistente. Segundo a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, o procedimento é seguro quando realizado com técnica adequada e em ambiente apropriado.

Como é a recuperação após o procedimento?

A recuperação após uma injeção para dor na coluna é, na maioria dos casos, rápida. O procedimento é realizado em regime ambulatorial — o paciente vai receber a infiltração e retorna para casa no mesmo dia, sem necessidade de internação. Recomenda-se repouso relativo nas primeiras 24 horas e evitar esforços físicos intensos por alguns dias.

O efeito analgésico do anestésico local surge rapidamente, mas é temporário. O benefício duradouro, proporcionado pelo anti-inflamatório ou corticosteroide, costuma se manifestar entre 48 horas e uma semana após o procedimento. Durante esse período, o paciente é orientado a manter a fisioterapia, que potencializa e prolonga os resultados da infiltração.

A injeção na coluna dói?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes de quem considera fazer uma injeção para dor na coluna. A resposta é: o desconforto é mínimo. Antes do procedimento, aplica-se anestésico local na pele e no tecido subcutâneo, o que praticamente elimina a sensação dolorosa durante a infiltração. O paciente pode sentir uma leve pressão ou desconforto no momento em que o medicamento é depositado, mas dificilmente refere dor intensa.

Nas horas seguintes, é possível haver um aumento transitório da dor — o chamado ‘flare pós-infiltração’ —, que cede espontaneamente em até 48 horas e pode ser manejado com analgésicos simples. No geral, o procedimento é bem tolerado mesmo por pacientes que têm receio de agulhas.

Qual médico aplica injeção para dor na coluna?

A injeção para dor na coluna pode ser realizada por diferentes especialistas, dependendo do tipo de infiltração e do contexto clínico: ortopedistas com foco em coluna, neurocirurgiões, reumatologistas e anestesiologistas especialistas em dor são os profissionais mais habilitados para indicar e executar o procedimento.

O mais importante é que o médico tenha experiência comprovada com infiltrações vertebrais e que o procedimento seja realizado com apoio de guia de imagem, como fluoroscopia ou tomografia computadorizada, para garantir precisão no posicionamento da agulha e segurança para o paciente. Infiltrações realizadas às cegas, sem controle de imagem, apresentam maior risco de complicações e menor eficácia.

Se você sofre de dor crônica na coluna e os tratamentos convencionais não trouxeram alívio satisfatório, converse com um especialista sobre a possibilidade de realizar uma injeção para dor na coluna. A avaliação médica cuidadosa é sempre o primeiro passo para encontrar a melhor solução terapêutica para o seu caso.

Agende sua consulta com o Dr. Flávio Zelada

 

Fontes

Ministério da Saúde

Sociedade Brasileira de Anestesiologia

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Sociedade Brasileira de Reumatologia