A dor lombar pode acometer mais de 800 milhões de pessoas até 2050, e a síndrome facetária faz parte desses números.
A síndrome facetária crônica é uma das enfermidades da coluna que afeta as articulações facetárias da região, responsáveis por dar estabilidade e permitir os movimentos entre as vértebras. Uma vez que essas estruturas sofram desgaste ou inflamação, acabam provocando dor persistente, principalmente na região lombar e cervical.
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam números preocupantes: aproximadamente 619 milhões de pessoas conviviam com dor lombar em 2020, e a estimativa é que esse número ultrapasse 840 milhões até 2050. Ainda nesse contexto, as articulações facetárias são responsáveis por 15% a 45% dos casos de dor lombar crônica.
Índice
O que é síndrome facetária crônica?
A síndrome facetária crônica é a dor originada nas articulações facetárias, pequenas articulações (facetas) que ligam as vértebras da coluna. Com o passar dos anos ou com a sobrecarga repetitiva, essas articulações podem sofrer desgaste, inflamação e alterações degenerativas, tornando-se uma fonte importante de dor.
Essa condição é mais frequente em pessoas acima dos 50 anos, mas também pode acometer adultos mais jovens, ainda mais em pessoas que realizam esforços repetitivos, apresentam má postura ou portam doenças degenerativas da coluna.
O diagnóstico correto é fundamental, pois há chances de os sintomas serem confundidos com hérnia de disco, dores musculares e outras alterações da coluna vertebral.
O que causa a síndrome facetária crônica na coluna?
Entre fatores que desenvolvem a síndrome facetária crônica, talvez o envelhecimento natural da coluna seja a principal causa, já que o desgaste das cartilagens e das articulações acontece naturalmente ao longo da vida.
Outras situações que aumentam a sobrecarga sobre as facetas articulares:
- Excesso de peso;
- Sedentarismo;
- Trabalhos com esforço físico repetitivo;
- Alterações na biomecânica da coluna;
- Artrose;
- Instabilidade vertebral;
- Escoliose;
- Cirurgias prévias da coluna.
Às vezes, alguns desses fatores citados acima atuam ao mesmo tempo.
Principais sintomas que diferenciam essa síndrome
A dor localizada na coluna é o principal sintoma, na maioria das vezes na região lombar ou cervical. É uma dor que costuma piorar quando o paciente permanece muito tempo em pé, caminha, inclina o tronco para trás ou realiza movimentos de rotação. Em algumas pessoas, a dor passa para os glúteos, ombros ou coxas, mas normalmente não segue o trajeto típico de um nervo comprimido (como ocorre em muitos casos de hérnia de disco).
Sentir rigidez ao acordar ou após permanecer muito tempo na mesma posição também é um sintoma comum. A dor na síndrome facetária é profunda, como se a coluna ficasse mais pesada ou travada. Já na hérnia de disco e na estenose espinhal, por exemplo, a dor é mais aguda e irradia para os membros inferiores.
Como o diagnóstico é realizado?
Normalmente as alterações patológicas das articulações facetarias podem ser confirmadas por radiografias simples, mesmo assim, o diagnóstico da síndrome facetária crônica começa com uma avaliação clínica detalhada, onde o especialista analisa o histórico do paciente, identifica os movimentos que desencadeiam a dor e realiza testes específicos durante o exame físico para localizar a possível origem dos sintomas.
Exames como radiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética ajudam a avaliar a coluna e descartar outras doenças. Porém, como alterações degenerativas podem existir mesmo em pessoas sem dor, o diagnóstico costuma considerar principalmente a combinação entre sintomas, exame físico e, em alguns casos, bloqueios diagnósticos realizados por meio de infiltrações guiadas por imagem.
A dor na coluna que piora com os movimentos pode ser sinal de que as articulações facetárias estão comprometidas.
Qual o tratamento da síndrome facetária crônica?
A intensidade dos sintomas define o tratamento da síndrome facetária crônica, além do tempo de evolução da dor e das características de cada paciente. Na maioria dos casos, a intervenção inicial é conservadora, com repouso relativo, hidroterapia e fisioterapia para analgesia e estabilização segmentar (fortalecimentos específicos) buscando reduzir a dor, melhorar a mobilidade e fortalecer a musculatura que estabiliza a coluna.
Quando os tratamentos convencionais não trazem resultados, procedimentos minimamente invasivos são indicados. Por exemplo, o controle da dor pode ser obtido por meio de procedimentos de infiltrações facetárias com medicamentos ou até mesmo rizotomias por radiofrequência (ablação térmica do ramo nervoso que causa a dor facetária).
Fisioterapia de estabilização e fortalecimento muscular
A fisioterapia é considerada uma das principais etapas do tratamento. Exercícios específicos ajudam a fortalecer a musculatura do abdômen, da lombar e da pelve, proporcionando maior estabilidade para a coluna e reduzindo a sobrecarga sobre as articulações facetárias.
Além do fortalecimento, o fisioterapeuta pode orientar exercícios de mobilidade, alongamentos e correção postural. A prática regular dessas atividades também contribui para diminuir o risco de novas crises de dor.
Infiltrações e rizotomia por radiofrequência
Quando a dor persiste mesmo após fisioterapia e medicamentos, infiltrações facetárias podem ser indicadas tanto para confirmar o diagnóstico quanto para aliviar os sintomas. O procedimento consiste na aplicação de medicamentos diretamente na articulação ou próximo aos nervos responsáveis pela transmissão da dor.
Outra alternativa é a rizotomia por radiofrequência, técnica minimamente invasiva que utiliza calor controlado para interromper temporariamente a condução dos nervos que levam o estímulo doloroso ao cérebro. Esse procedimento proporciona alívio prolongado da dor e melhorar significativamente a capacidade funcional.
É possível prevenir a síndrome facetária crônica?
É difícil evitar todos os casos, ainda mais os relacionados ao envelhecimento natural da coluna. Mesmo assim, algumas medidas contribuem para preservar a saúde da coluna e diminuir o risco de dores crônicas:
- Manter um peso saudável;
- Praticar exercícios físicos regularmente;
- Fortalecer a musculatura estabilizadora da coluna.
- Evitar longos períodos na mesma posição;
- Corrigir a postura durante o trabalho;
- Realizar pausas ao longo do dia para movimentar o corpo.
Qual médico realiza o tratamento da dor facetária?
O médico ortopedista é o profissional correto para o tratamento da dor facetária, como o Dr. Flávio Zelada, especialista em cirurgia e tratamento das doenças da coluna vertebral.
Se você convive ou conhece pessoas que sentem dor persistente nas costas ou suspeita de síndrome facetária crônica, indique ou agende uma consulta para uma avaliação individualizada.
Entre em contato com o Dr. Flávio Zelada.
Fontes:
Flávio Zelada
Organização Mundial da Saúde
International Association for the Study of Pain (IASP)

